Praia Grande: sua história e os dias atuais

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A história da cidade de Praia Grande está intrinsicamente ligada à de São Vicente. Antes da construção da Ponte Pênsil, que interliga as duas cidades, o rio Piaçabuçu foi a principal via de acesso à Praia Grande e ao litoral sul. Seu nome possui origem indígena e, por muito tempo foi referência nos mapas antigos para identificar Praia Grande. 

A cidade era o acesso ao litoral sul no período colonial, utilizado pelos Jesuítas para a catequização dos indígenas tupis ao longo do caminho, até o município de Peruíbe, localização das ruínas do Abarebebe. 

A construção da Ponte Pênsil em 1914 tinha por finalidade conduzir os esgotos de Santos para desaguar no Itaipu. Isto fez parte das propostas na época pela Comissão de Saneamento, chefiada pelo engenheiro Saturnino de Brito, com intuito de combater as epidemias que assolavam os santistas (febre amarela, varíola, tuberculose). Com a Ponte Pênsil, começaram a trafegar carros, carroças e pessoas, assim, a Praia Grande passou a estar ligada a São Vicente. Infelizmente, o esgoto que chegava na cidade para desaguar no mar poluía muito as praias. Os dutos durante muito tempo, transportaram o esgoto da cidade de Santos pela Avenida do Saneamento, atual Avenida Marechal Mallet. Heitor Sanches, loteador do Jardim Matilde, preocupado com a estética local, instalou as pérgolas, que contrastavam sua beleza com o real objetivo da via de transporte do esgoto. A Ponte Pênsil, acabou se tornando durante muito tempo o único acesso terrestre a cidade de Praia Grande. 

Os terrenos passaram a ter um maior valor do que tinham antes e ocorreu então no início do século a especulação imobiliária, onde muitas pessoas queriam ganhar dinheiro fácil com a venda de terrenos por alto preço. Na época, muitos praianos perderem suas terras em situações ilegais e outras se aproveitaram e enriqueceram. 

Referência histórica da cidade, a Fortaleza de Itaipu, situada no atual bairro Canto do Forte, foi construída em 1909 em substituição à Fortaleza de Santo Amaro com a finalidade de defender a entrada do Porto de Santos. Ela representa um símbolo de identidade com a população praia-grandense.  

 

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No início do século XIX, foi construído pela Compagnie Generale Aeropostale (empresa fundada em 1919, na França), um campo de pouso, o primeiro, por uma empresa no litoral brasileiro com a finalidade de conexões para o serviço postal. A criação do bairro da Aviação está diretamente relacionada ao campo de pouso da Aeropostale. O piloto Jean Mermoz, aterrissou no campo da Aviação em 15 de maio de 1930. 

Um projeto pioneiro, ousado e de vanguarda, deu origem ao bairro Ocian no início da década de 50. Pioneiro, Roberto Andraus iniciou a construção da Cidade Ocian – um dos mais promissores empreendimentos modernos para habitação na região – no antigo sítio Ubatuba (inóspito e dominado por mangues). Pertencente a dona Maria da Conceição Silva, por herança de sua avó que teria sido escrava, as terras foram vendidas em 1946 à Nagib Saeg e em seguida, a Roberto Andraus (SIQUEIRA, CÁLIS, RODRIGUES E SILVA, 2002). 

Até o ano de 1966, Praia Grande foi Distrito de São Vicente. A emancipação foi fruto de uma longa luta, com início no bairro de Solemar, no ano de 1953, por Júlio Secco de Carvalho, acompanhada mais tarde por Oswaldo Toschi (que liderou a Comissão de Pró-desmembramento), Heitor Sanchez Toschi, Israel Grimaldi Milani e Dorivaldo Loria Junior, entre outros. Em 8 de dezembro de 1963, houve o plebiscito, onde os eleitores de Praia Grande por sua maioria esmagadora, votaram pela emancipação. Mesmo assim, ainda se passariam alguns anos até que Praia Grande conquistasse sua autonomia. 

A luta continuou com Nestor Ferreira da Rocha, e em seguida por centenas de outros nomes da sociedade, políticos, profissionais liberais, entre outras pessoas, junto ao Governo do Estado na Assembleia Legislativa e mais tarde, na Justiça do Estado e Federal. Até que no ano de 1966 o Supremo Tribunal Federal deu ganho de causa ao Município de Praia Grande, concedendo-lhe a sua autonomia. O interventor federal Nestor Paal (engenheiro e político), foi nomeado em 9 de janeiro de 1967, alguns dias antes da emancipação político-administrativa da cidade, pelo então presidente Humberto de Alencar Castelo Branco. 

Em 19 de janeiro de 1967, finalmente Praia Grande conquistou o status de município e, sua Prefeitura Municipal foi provisoriamente instalada no Ocian Praia Clube. 

Nicolau Paal permaneceu no cargo até 15 de novembro de 1968, quando foi realizada a primeira eleição municipal em Praia Grande, tendo como prefeito Dorivaldo Loria Junior. 

Após sua autonomia, o aumento da procura de pessoas que queriam veranear, fez com que os terrenos da Praia Grande fossem loteados e construídas residências de temporada e um hotel. Desde então, passou-se a viver do turismo. Por um longo período a cidade sofreu com invasão em massa, desenfreado e predatório de turistas e, que se estendeu ao longo de quase três décadas, saturando e comprometendo sua capacidade receptiva. 

Ao longo dos anos, no entanto, a cidade viveu um grande período de transformação, muitos visitavam só por um dia o município, sendo um dos destinos mais procurados do país. A urbanização da orla e a atenção dada pelos principais setores da administração pública foram decisivos para reintegrar a cidade e fazê-la de referência turística e de moradia. O controle de entrada de ônibus, o ordenamento dos estacionamentos aliados a um trabalho sério de urbanização elevou o status da cidade até a construção do de um shopping center de caráter regional, aquecendo a economia local. 

A história e os investimentos fizeram com que o cenário mudasse de maneira rápida trazendo o desenvolvimento. De acordo com o último relatório divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Praia Grande ganhou mais de 9 mil moradores em um ano, totalizando 319.146 habitantes em 2018, o que a torna a cidade da Baixada Santista que mais cresceu populacionalmente. 

A Cidade está em constante desenvolvimento. Sendo hoje o 4º município brasileiro mais procurado como destino turístico. Suas belezas naturais, opções de lazer e infraestrutura adequada multiplicam a cada ano o número de turistas e pessoas interessadas em fixar residência. Os 22,5 quilômetros de belas praias, orla urbanizada com coqueiros, quiosques e ciclovias, exemplificam com exatidão o cardápio de qualidade com ótimas opções que o Município disponibiliza para diversão. Tudo isso sem esquecer da população praia-grandense, sempre hospitaleira e receptiva.

Por Claudio Daltro